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As vantagens do transplante endotelial

As vantagens do transplante endotelial

Ainda que timidamente, transplante lamelar posterior ganha espaço no Brasil e traz benefícios aos pacientes

Recentemente, uma técnica de transplante tem conquistado espaço – mesmo que ainda tímido – no Brasil. Trata-se do transplante de endotélio, indicado para pacientes portadores de alterações que envolvam somente as camadas posteriores da córnea, endotélio e membrana de Descemet, sem comprometer outras camadas.

“O transplante de endotélio, também conhecido como lamelar posterior, está indicado naqueles pacientes que têm uma doença do endotélio corneano, que está causando edema de córnea e diminuição importante da acuidade visual. É importante que o estroma da córnea não esteja com cicatrizes para que haja indicação do transplante endotelial. Temos como exemplos a distrofia endotelial de Fuchs e a ceratopatia bolhosa”, explica Uchoandro Uchoa, chefe da equipe de transplante de córnea do Hospital Universitário Onofre Lopes, da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).

Os benefícios

De acordo com os oftalmologistas entrevistados, essa técnica é eficaz e traz várias vantagens ao paciente. Nosé comenta que os benefícios vão desde a anestesia local ou tópica, a não necessidade de suturas, até a rápida recuperação visual e de atividades profissionais pela menor indução de erros refrativos (manutenção da curvatura anterior da córnea). “Temos uma máxima recuperação visual em menor tempo, oferecendo grande conforto e praticidade aos pacientes. A eficácia é grande, com rápida recuperação visual. Alguns artigos relatam 80% dos pacientes com visão 20/25 após seis meses de pós-operatório”, diz.

Nosé aponta ainda que o percentual de sucesso é muito grande, tendo em vista que esses transplantes são geralmente indicados quando não existem outras comorbidades oculares, como vascularização, opacidades estromais e leucomas vascularizados. “Vários trabalhos da literatura relatam visão de 20/20 ou melhor, após seis meses de DMEK. Outras vantagens estão relacionadas à menor chance de rejeição (menos de 1%), menor risco de alteração da superfície ocular e menor perda endotelial a longo prazo”, revela.


Os principais riscos

Já Uchoa, da UFRN, explica que alguns riscos dessa cirurgia existem também no transplante convencional, como infecção, rejeição (embora mais rara) e falência primária. “Há também riscos que são específicos do transplante lamelar posterior. O mais frequente é o descolamento do enxerto, o que exige uma nova intervenção para promover a adesão da lamela ao estroma corneano”, informa Uchoa.

Estamos preparados?

Apesar de eficiente, o transplante endotelial ainda tem muito espaço para crescer no Brasil. Para se ter uma ideia, em 2011 foram realizados mais de 14 mil transplantes de córnea no país. Em 20% destes poderia ter sido aplicada a técnica do transplante endotelial, mas o número não chegou a 1%.

Uchoa diz que apesar dessa técnica ser bastante conhecida pelos oftalmologistas brasileiros, ela ainda não é realizada rotineiramente em todo o país. “Existem centros de excelência onde o procedimento é feito, mas acredito que a maioria dos nossos cirurgiões de córnea ainda não realiza essa técnica”, afirma.

Mas esse quadro deve mudar. Walton Nosé aponta que a indicação dessa técnica vem aumentando com os relatos de bons resultados da literatura e a maior experiência dos cirurgiões. “Temos no Brasil uma grande quantidade de bons cirurgiões de córnea, que podem migrar facilmente para as técnicas endoteliais. O cirurgião experiente tem menor curva de aprendizado, obtendo bons resultados em menor tempo”, diz.

De acordo com ele, o número de cirurgiões que dominam essas técnicas no Brasil já é suficientemente grande para, em um ano, disseminar a experiência para um número três vezes maior de especialistas.

Fonte:universo visual




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